O 286 da minha tia

A Silene é professora, além de tia muito legal e tantas outras coisas, ela é professora, e sempre esteve envolvida em projetos na FDE ou na Delegacia de Ensino de São Paulo, lembro bem quando eu era pequeno e ela me levava junto com meu irmão pra passar o dia no trabalho dela, tínhamos contato com a materiais muito legais que eram utilizados em treinamento de professores e desenvolvimento de projetos pedagógicos para as escolas estaduais.

Eu devia ter uns 6 a 7 anos de idade, isso foi lá em 1988 ou algo perto disso, e a Silene comprou um computador, era um 286 de segunda mão, mas era algo incrível, tinha joguinhos de cartas (freecel e paciência eram jogos incríveis), tinha os joguinhos de carros e o que eu mais gostava era um software para desenhar que se chama KIDPIX.

Não me lembro quanto tempo depois ela instalou um modem com a incrível velocidade de 9600bps, a marca era US Robotics, que depois foi comprada pela 3COM que eu acho que nem existe mais hoje, mas aquilo sim era algo incrível.

Naquele tempo a gente ainda usava o orelhão pra fazer um DDD com as fichas telefônicas e mais do que isso, a gente ia no orelhão depois das 8 da noite pra pagar menos pulsos na ligação, com aquele modem e um software discador chamado Trumpet a gente se conectava a um negócio incrível chamado BBS que era uma “internet” meio em DOS.

Existia um provedor de BBS muito famoso, que depois se tornou também um provedor de internet chamado Mandic, e lá dentro tinham salas de bate papo com pessoas do mundo todo. Existia salas temáticas como: Brasileiros no Japão, Brasileiros nos EUA e tantas outras e pra gente era incrível imaginar que estávamos conversando com brasileiros que estavam no Japão, do outro lado do mundo.

Tudo aquilo me fascinava depois, e eu comecei a gostar muito de computador, ficava o tempo todo lá, mexendo, fuçando, procurando coisas, escrevendo, pintando no KidPix ou no Paint Brush do Windows.

Depois de muito tempo fiquei sabendo que muitas das coisas que a gente ia descobrindo em casa no KidPix foram usadas em cursos para professores lá da secretaria de educação.

Meu pai era metalúrgico e não entendia muito de computadores, mas ele via que eu estava encantado com aquilo, e já existia aquela coisa de “computadores” são o futuro, todos precisam aprender informática e coisas assim, então ele foi lá e deu um jeito de computador um computador pra nossa casa, mas isso eu falei em outro post, foi assim que começou o meu contato com computadores e até onde cheguei hoje.

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