A primeira prospecção a gente nunca esquece.

Quando eu tinha 17 anos eu já achava que tinha uma empresa. Se chamava IMAGEMATIVA, e eu fazia de tudo um pouco que era relacionado a informática, pelo menos o que eu sabia fazer que era consertar computadores e também criar pequenos sites de internet.

Mas a verdade é que naquele momento eu era auxiliar de técnico de informática em uma grande construtora, e o meu trabalho mesmo era ficar limpando computador, formatando computador, fazendo backups de servidores em fita DAT e procurando executáveis de joguinhos na rede pro pessoal trabalhar e não ficar enrolando.

Mas como eu já tinha uma empresa, eu precisava conseguir clientes e pra isso decidi pegar um guia do bairro e também as páginas amarelas e começar a ligar pra algumas empresas que faziam anúncios, e oferecer um site de internet, isso era meados de 1998 e ninguém ainda sabia muito pra que servia um site na internet a não ser as grandes empresas.

Aqui na Freguesia do Ó tem uma imobiliária que se chama Tuon, essa mesma empresa era dona de um jornalzinho que era distribuído na região chamado Guia Tuon, era um catálogo com algumas empresas da região.

 

 

Publicidade? Da onde tirei isso?

Eu comecei ao contrário, de trás pra frente, sabe aquela história de planejamento estratégico, eu vim saber o que é isso depois dos 30 quando achei que a vida estava começando a acabar, minhas filhas estavam crescendo e eu não poderia ficar sem dar exemplo pra elas.

Como já contei aqui na minha história, eu tenho formação técnica em informática e tecnologia, mas hoje trabalho vendendo produtos, eu comecei muito cedo e aos 30 anos de idade achei que era o começo do fim, minhas filhas estavam crescendo e daqui a pouco elas teriam que estudar, escolher uma universidade e uma profissão e aos 30 anos eu ainda não tinha um curso superior, que diabos de exemplo eu era para as minhas meninas?

Em dezembro de 2011, faltando pouco mais de 1 mês para eu completar 30 decidi que era a hora de estudar, e ai precisava escolher um curso, não sabia o que ia fazer, só sabia que precisava fazer alguma coisa. Comecei a escolher os cursos que tinha menos matéria chata e matemática, nesse momento eliminei praticamente todos de tecnologia, olhei e olhei novamente e por eliminação cheguei em Publicidade e Propaganda, olhando a grade achei que tinha tudo a ver com o trabalho que desenvolvo hoje e não poderia ter sido melhor.

Aos 30 e poucos descobri que já tinha feito muito coisa que as pessoas aprendem na faculdade, tudo sem planejamento, tudo na tentativa e erro, descobri que tem coisas que a gente não vai usar pra nada (pouquíssimas) e que a maioria tem muito fundamento e é a vida real, é o que a gente como vendedor faz todo dia.

O tal dos 4 P´s do Kotlher é venda pura, é o que a gente faz todo dia, o vendedor faz isso a cada cliente que ele atende, ele só não sabe disso, e quando eu descobri que fazia isso ficou tão claro pra mim que essa era a minha vida.

Ficou claro pra mim que minha família inteira é de vendedores e não de metalúrgicos como eu achava até hoje, e isso pra mim foi um paradigma que eu achava que tinha quebrado,mas não era nada disso. (falei isso aqui)

O 286 da minha tia

A Silene é professora, além de tia muito legal e tantas outras coisas, ela é professora, e sempre esteve envolvida em projetos na FDE ou na Delegacia de Ensino de São Paulo, lembro bem quando eu era pequeno e ela me levava junto com meu irmão pra passar o dia no trabalho dela, tínhamos contato com a materiais muito legais que eram utilizados em treinamento de professores e desenvolvimento de projetos pedagógicos para as escolas estaduais.

Eu devia ter uns 6 a 7 anos de idade, isso foi lá em 1988 ou algo perto disso, e a Silene comprou um computador, era um 286 de segunda mão, mas era algo incrível, tinha joguinhos de cartas (freecel e paciência eram jogos incríveis), tinha os joguinhos de carros e o que eu mais gostava era um software para desenhar que se chama KIDPIX.

Não me lembro quanto tempo depois ela instalou um modem com a incrível velocidade de 9600bps, a marca era US Robotics, que depois foi comprada pela 3COM que eu acho que nem existe mais hoje, mas aquilo sim era algo incrível.

Naquele tempo a gente ainda usava o orelhão pra fazer um DDD com as fichas telefônicas e mais do que isso, a gente ia no orelhão depois das 8 da noite pra pagar menos pulsos na ligação, com aquele modem e um software discador chamado Trumpet a gente se conectava a um negócio incrível chamado BBS que era uma “internet” meio em DOS.

Existia um provedor de BBS muito famoso, que depois se tornou também um provedor de internet chamado Mandic, e lá dentro tinham salas de bate papo com pessoas do mundo todo. Existia salas temáticas como: Brasileiros no Japão, Brasileiros nos EUA e tantas outras e pra gente era incrível imaginar que estávamos conversando com brasileiros que estavam no Japão, do outro lado do mundo.

Tudo aquilo me fascinava depois, e eu comecei a gostar muito de computador, ficava o tempo todo lá, mexendo, fuçando, procurando coisas, escrevendo, pintando no KidPix ou no Paint Brush do Windows.

Depois de muito tempo fiquei sabendo que muitas das coisas que a gente ia descobrindo em casa no KidPix foram usadas em cursos para professores lá da secretaria de educação.

Meu pai era metalúrgico e não entendia muito de computadores, mas ele via que eu estava encantado com aquilo, e já existia aquela coisa de “computadores” são o futuro, todos precisam aprender informática e coisas assim, então ele foi lá e deu um jeito de computador um computador pra nossa casa, mas isso eu falei em outro post, foi assim que começou o meu contato com computadores e até onde cheguei hoje.

De onde venho e pra onde vou.

Sempre achei que era de tecnologia, sempre mesmo, aos 7 anos de idade comecei a mexer em um computador, me lembro como se fosse hoje, era um 486 DX2/66mhz (mas antes disso já tinha mexido em um 286 que era da minha tia, isso eu conto em outro post).

Meu pai comprou pra mim através de consórcio, nessa época meados de 1989 não era comum ter um computador, ainda mais pra nossa família, mas ele comprou, achando que ia mudar a minha vida e que aquilo era o futuro.

Era época era BBS do STI, depois venho internet do Mandic e da STI, 7 anos depois comecei a trabalhar como officeboy em uma construtora. E achava também que poderia ter uma empresa de informática aos 14 anos, criando sites e arrumando computadores. (isso aconteceu mesmo, mas foi um depois em 2000 aos 18 anos, mas falo disso neste post)

Aos 16 anos já tinha feito uns cursos de manutenção de computadores e de html e ASP na Impacta, que era uma escola bem bacana na época, tudo isso com meu salário de office-boy, já estava fazendo uns trabalhos “por fora”, fazendo sites e consertando computadores nos fins de semana pra uma loja chamada Prisma que ficava ali próxima da Avenida Sumaré, na verdade era uma papelaria que vendia peças de informática a semana toda e no sábado eu ia pra instalar as peças para os clientes.

Fiquei pensando como conseguir novos cientes e surgiu a brilhante idéia de fazer uns panfletos e distribuir na região, então saía aos domingos em toda a região das Perdizes, na zona oeste de são paulo, distribuindo panfletos em pequenos comércios, colocando debaixo de portas e entregando para os porteiros dos prédios. (nem sabia, mas isso era publicidade e marketing, que veio na minha vida muito depois).

E prospecção, ahhhh… a primeira prospecção nenhum vendedor esquece, aos 17 anos tive uma promoção, mudei de cargo e de empresa, outra construtora do mesmo grupo, mas agora eu era Auxiliar Técnico de Informática em um CPD, nossa como isso parecia uma coisa legal, era nada, eu passava o dia inteiro instalando windows 3.11 (era uns… 14 disquetes naquela época), fazendo backups de arquivos e desatolando as impressoras, elas viviam atoladas de papel.

E a prospecção? Nesse ambiente hostil de CPD, eu só pensava em ter a minha empresa e ai decidi pegar uma lista telefonica das Páginas Amarelas, e os jornais do bairro e ver as empresas que pagavam os maiores anúncios (tipo página inteira ou meia página) ligar pra elas e oferecer um site na internet, na hora do almoço eu gastava o dedo ligando pra empresas e oferecendo um site na internet.

Consegui alguns clientes enquanto trabalhava no CPD, mas nada que desse pra alçar um voo solo e nessas viradas que a vida dá acabei mudando de emprego, de novo recebi uma promoção (ou um castigo) e comecei a trabalhar em um cemitério particular, fazia coisas de informática lá e também coisas administrativas como renegociar contratos e atender clientes, foi uma experiência que nunca vou esquecer, depois de 1 ano por lá saí para abrir uma empresa de informática e foi muito bom, pelo menos parecia algo muito pra mim, nasceu a imagemativa, na verdade ela já tinha nascido antes disso na minha imaginação e prospecções, já tinha site e tudo mais, mas em dezembro de 2000 ela nasceu de verdade com CNPJ.

Hoje eu sou vendedor dessa empresa, tudo mudou, eu descobri do pior jeito que o meu negócio era vender e que toda essa experiência e a vivência em tecnologia iam fazer parte de toda a minha vida até hoje, de um jeito muito bom.